Mrs. Benazir Bhutto

A Sra. Bhutto morreu hoje algures no Paquistão vítima de um atentado terrorista. Sobre a personagem pouco ou nada sei, porque os media que leio, vejo ou ouço, em sucessivos anos de protagonismo político da personagem, raramente conseguiram, para não dizer que tentaram, desvendar a essência de uma personagem contraditória, sedutora, inteligente e muito pouco escrupulosa. Uma figura que apesar de morrer, ou pretender morrer, como mártir da democracia do seu país, fez muitíssimo para diminuir essa mesma democracia enquanto sistema político cujas virtudes não importa agora enumerar. É que mesmo reconhecendo que não é tarefa fácil governar um país até hoje inviável como o Paquistão, as suas duas passagens pela chefia de governos paquistaneses produziram resultados medíocres tanto política como moralmente.
Hoje, e sobretudo fora do Paquistão, há quem chore o desaparecimento da Sra. Bhutto pelas circunstâncias brutais e cobardes em que ocorreu, por nela ver o rosto da luta pela liberdade e pela democracia num país e numa das regiões mais instáveis do mundo.
Por mim, e enquanto aguardo que seja publicada uma biografia da Sra. Benazir Bhutto que faça luz sobre a mulher, o seu percurso e a sua circunstância (Bhutto que desde muito jovem, e inspirada pelo seu pai, se interessara por mulheres que, como Joana d’Arc ou Indira Gandhi, tinham sido líderes políticos marcantes), apenas me interrogo sobre qual terá sido a coligação de interesses que tanto desejava a sua morte. Encontrar uma resposta para esta pergunta não será fácil. Afinal, para onde quer que se virasse, a Sra. Bhutto tinha inimigos dos mais irrecomendáveis. Mas como se não bastasse, há sempre a possibilidade do atentado ter sido o acto de um homem só.
Entretanto, alguns paquistaneses aparecem frente às câmaras de televisão, neste ou naquele ponto da sua terra, destruindo propriedade e perseguindo e matando não se sabe muito bem quem. É o ser humano no seu melhor.
publicado por Fernando Martins às 22:51 | partilhar