Mike Plowden (1959-2008)

Morreu há dias Mike Plowden. Morreu a ensinar basket, depois de uma vida a jogar basket. Primeiro na América natal, depois no Barreirense e no Benfica, por fim como treinador no pequeno clube onde o filho estava a seguir-lhe os passos. Veio para cá jovem, gostou, foi ficando, casou com uma portuguesa, naturalizou-se e chegou a representar a selecção, muito antes de se falar nos brasileiros do futebol.
Ironia do destino (mais uma), passei a tarde de Domingo a lembrar-lhe as proezas com o pai de um amigo do Barreiro, terra que ele fizera sua. Nunca me interessei por basket. Na escola, quando jogava, era invariavelmente expulso por acumulação de faltas pessoais, uma fatalidade que atribuo à sólida herança humanista do rugby. Só abria uma excepção para o Benfica dos anos 80, mítica equipa liderada por Carlos Lisboa e que tinha em Mike Plowden uma estrela à altura. O seu nome, como o dos irmãos Vasconcelos no andebol (esse sim, um desporto humanista), era sinónimo de vitórias vermelhas.
Voltei a ouvi-lo mais tarde, já finalista da FCSH, em conversa com outro barreirense a quem me aliei para impedir que o delegado dos alunos no Conselho Directivo fosse de novo do Bloco de Esquerda. Perdemos, claro, e por muitos, mas ganhei um amigo para o resto da vida - entre outras coisas porque, graças à companhia, foi obviamente acusado de "fascista" . Ele, que votava no PC e era sobrinho do Presidente da Câmara do Barreiro.
Um belo dia, falou-me por acaso num Mike, o outro tio.
"Mike? Qual Mike? "
"Ah, o Mike Plowden, não sei se conheces..."
"O Mike Plowden?! O Mike Plowden é teu tio?!"
"Sim, casou com uma tia minha."
Dizia isto como se fosse a coisa mais natural do mundo. E era. E assim reencontrei o "Mike". Ironia do destino (mais uma), Mike Plowden, o príncipe negro que atravessou o Atlântico para morar no reino da Lusitânia, deixa-nos no momento em que nos querem obrigar a viver entre o super-estado de Bruxelas e os tribalismos de Cantuária e do Kosovo. Mais do que nunca, é preciso recordar exemplo de homens assim. Homens para quem a pátria não é o império, o sangue, o credo ou a cor da pele, mas uma escolha livre.
publicado por Pedro Picoito às 15:23 | comentar | partilhar