A América e o Mundo


“Uma atenção à opinião das outras nações é importante para qualquer governo por duas razões: a primeira é que, independentemente dos méritos de qualquer plano ou medida particulares, é desejável, sob vários aspectos, que ele se apresente às outras nações como o resultado de uma política sensata e honrosa; a segunda é que, em casos duvidosos, em particular naqueles em que as assembleias nacionais possam ser pervertidas por alguma paixão forte ou por algum interesse momentâneo, a opinião suposta ou conhecida do mundo imparcial pode ser o melhor guia que pode ser seguido.”


Mesmo para quem apoiou a invasão do Iraque, não custa admitir que esta recomendação do principal arquitecto da Constituição americana foi algo negligenciada pelos condutores da política externa dos EUA nos últimos anos. E agora que tanta gente aguarda o triunfo completo dos Democratas, espera-se também uma mudança de atitude política e diplomática que reflicta mais fielmente as intenções de Madison.
De certo modo, os EUA não têm alternativa. É a consequência necessária da sua vocação civilizacional proclamada desde os tempos da Fundação, e da própria lógica democrática. Resta saber o que é o “mundo imparcial” e quem são os seus porta-vozes.
publicado por Miguel Morgado às 16:48 | partilhar