A Entrevista

A entrevista de Fernando Ulrich ao Público, embora em tom bem mais circunspecto, está naquilo que diz, e até num ou noutro silêncio a propósito da compra de acções do BPI ao BCP por Isabel dos Santos ou da forma como a CGD funciona, ao nível do que Medina Carreira não se tem cansado de repetir há vários anos ou que Manuela Ferreira Leite insiste em tornar no cerne da sua mensagem política. Ou seja, Portugal está endividado até ao limite do razoável; a opção por executar inúmeras e grandes obras públicas é um erro económico e financeiro de enormes e trágicas proporções; a CGD é, entre outras coisas pouco dignas e extremamente preocupantes, gerida de acordo com os interesses políticos do Governo e do PS (Ulrich chama-lhe, a dada altura, o "saco azul do Governo", o que me fez recordar Fátima [de] Felgueiras). O presidente do BPI alerta ainda para o facto das soluções para a crise financeiras congeminadas por Gordon Brown para o Reino Unido, e seguidas quase cegamente um pouco por toda a União Europeia, estarem a criar enormes problemas à Banca. Isto, independentemente de também ser dito, aparentemente sem impressionar quem conduziu a entrevista, que o Governo está a saber gerir a crise, embora excessivamente susceptível à pressão mediática, como é o caso das ameaças feitas pelo ministro das Finanças de o aval do Estado aos bancos poder ser retirado caso estes não emprestem às empresas o capital que estas lhes reclamem para se refinanciarem.
No meio disto tudo, é óbvio que a realidade existente e pintada a traços grossos por Fernando Ulrich, só nos permite concluir duas coisas. A primeira é que a “conjuntura” não só vai piorar, como poderá tornar-se social, económica, financeira e politicamente insustentável. A segunda é que “é preciso mudar de Governo e de políticas”, por mais que esta palavra de ordem nos faça lembrar Jerónimo de Sousa ou Carvalho da Silva.
publicado por Fernando Martins às 13:38 | partilhar