Directamente da Ásia

Este vosso servo, desterrado no Extremo Oriente e distante das lides nacionais, mantém-se porém em alerta se o assunto envolve a Ásia que tanto estima.
Quando Martim Avillez Figueiredo refere que Lee Kuan Yee separou Singapura da Malásia em 1959, está a cometer dois erros (graves):
Primeiro: Singapura separou-se da Malásia em 1965, depois de se tornar num estado "autónomo" do Império Inglês em 1959 e da tentativa falhada de se associar à Malásia em 1963.
Segundo: Não foi Lee Kuan Yee e a sua Singapura que se separaram da Malásia, foi a Malásia que correu com Singapura devido às profundas divergências sobre as políticas raciais do Governo Federal da Malásia. O partido de Lee e os chineses daquela região nunca aceitaram a política de descriminação a favor dos malaios (malaios = indíviduos de raça malaia, diferente de habitantes da Malásia que também incluiam os chineses). Lee queria, obviamente, uma "Malásia Malasiana" e não uma "Malásia Malaia". Interessava-lhe que os chineses de Singapura tivessem acesso aos recursos, muito mais vastos, da Malásia (e aqui entre nós, agradava-lhe a ideia de um dia mandar em toda a península da Malásia).
As divergências tornaram-se insustentáveis em 1965. Num sensacional comunicado à TV (que vi no museu em Singapura) Lee anuncia aos singapurenses a chorar: "estamos sozinhos, só podemos contar com nós próprios". Relembro ao leitor que em 1965 Singapura era pouco mais que um pântano sem recursos e problemas sociais gravíssimos (hoje é o quinto país mais rico do mundo em PIB per capita). Lee gosta sempre se dizer nas suas palestras: "Havia dinheiro para uma semana de importações".
P.S. Algum dos Cachimbos me manda o email do Martim para o meu email? Não o encontro e não posso ligar para ninguém em Portugal a estas horas.
publicado por Francisco Van Zeller às 05:34 | comentar | partilhar