O dia dos prodígios

O arrufo do menino guerreiro por causa do bimbo guerreiro distraiu o país de um episódio não menos edificante: a vandalização de várias campas do cemitério judaico de Lisboa por dois skin-heads. Um era menor, o outro já tinha cadastro. Ninguém ficou em prisão preventiva.
Se Pacheco Pereira se viu obrigado a concordar ontem com Santana Lopes, hoje vejo-me eu obrigado a concordar com o Daniel Oliveira. (É, parece o dia dos prodígios.) O neonazismo doméstico ultrapassou há muito a fase folclórica, embora inestética, das marchas contra os gays e os chineses. Aliás, já tinha ultrapassado quando um bando de tão extremosos patriotas matou Alcino Monteiro. Sim, a politização da justiça é perigosa. Tão perigosa como ter à solta gente que não gosta de judeus mortos e de pretos vivos.
publicado por Pedro Picoito às 16:00 | partilhar