Zangam-se as comadres...

Depois de ter ficado famoso por dizer que os seres humanos não tinham mais direitos do que os animais, Peter Singer enfrenta agora a fúria dos activistas de direitos dos animais por dizer que ...bem ... que os animais não têm mais direitos que os seres humanos. O célebre filósofo de Princeton não compreende como é que os princípios gerais que, em seu entender, tornam lícitos certos actos praticados sobre humanos – aborto, infanticídio, eliminação dos deficientes, por exemplo – também não sejam aplicáveis aos bichos, justificando, nomeadamente, a experimentação com animais. Foi como uma bomba. Para os grupos de direitos dos animais esta posição é absolutamente inaceitável.

A polémica instalou-se e os defensores dos direitos dos animais tratam-no agora como um proscrito: «No one in the animal rights movement views Peter Singer as the father of the modern animal rights movement. It’s a label that has been placed on him by the media because he wrote a book entitled “Animal Liberation”». E vejam lá bem as coisas horríveis de que os seus antigos admiradores agora (mas só agora…) o acusam: «Mr Singer has never believed in the rights of animals but is a Utilitarian, who would presumably agreed that if the experiments conducted on the Jews in the concentration camps by the Nazis could be seen to have benefited more human beings than the number of Jews killed, then somehow this would be deemed acceptable because it is viewed by utilitarians as being for the greater good. He’s the same man that advocates killing handicapped children in circumstances where for them to live might be a burden on the parents.» [Notícia aqui e reacções aqui].

Ou seja, no nobre desejo de proteger cães e gatos talvez ainda se venha a recuperar, como uma espécie de efeito secundário, alguma humanidade para os humanos... Não sei se rir, se chorar, ou se soltar um grunhido (e escusam de brincar com o meu apelido...)

publicado por Joana Alarcão às 17:55 | partilhar