Ruy Belo por Mexia

Gostei da crónica do Pedro Mexia sobre Ruy Belo, no Público de hoje (parcialmente disponível aqui). Mexia faz de Belo uma leitura visceral, pessoal, íntima, como muitos católicos da geração anterior que se incluem a si mesmos entre os "vencidos do catolicismo", na expressão do poeta que João Bénard popularizou, querendo nomear todos aqueles que, nos difíceis anos 60 e 70, se afastaram da Igreja sem perder a fé.
Não tem uma opinião distanciada, nem quer ter, nem é talvez possível tê-la sobre esta poesia tão confessional. O próprio Mexia nos diz que se reconhece "na sensação de vencidos do catolicismo", o que é raro na nossa geração - em que todos os católicos são vencidos. "Católico como ele, vivi um confronto semelhante, embora tão diferente, já não com a cultura oficial católica mas com o catolicismo feito resquício de um universo que acabou, ridicularizado na praça pública, vinte séculos de ideias sobre a graça, o perdão e a substância do tempo afunilados na mercearia dos costumes sexuais."
Apesar dos pesares, vale a pena voltar a Ruy Belo porque os "vinte séculos de ideias sobre a graça" talvez tenham algo a dizer ao nosso "tempo detergente".
publicado por Pedro Picoito às 13:35 | comentar | partilhar