Os Congressos é que eram emotivos e tal

A confirmarem-se os números da mobilização de votos nestas eleições directas do PPD-PSD, não deixa de ser tentador e paradoxal compará-los com as certidões de óbito e os atestados ao moribundo que abundaram em jornais e blogues. Como é possível que algumas pessoas continuem passados tantos anos a não perceber a dinâmica deste partido? Sobretudo das suas coisas mais simples e sólidas: as bases. A penetração que o partido tem na sociedade é extraordinária, assim como o é a sua capacidade de mobilização para uma votação alegadamente pouco empolgante destinada a eleger, a acreditar nos oráculos do regime, o derrotado de 2009.

Sem ser extraordinariamente surpreendente, não deixa de impressionar a forte derrota que um certo establishment do partido sofreu. Alternando maioritariamente entre a ausência e um apoio meramente institucional, nunca entrou verdadeiramente na disputa e conquista dos votos, apostando timidamente na eleição de um regente que garantisse serviços mínimos, mas com o qual não se poderiam confundir em demasia. Já se percebeu que as contas sairam mal.

Regista-se então a continuidade da força eleitoral do PPD-PSD, e lança-se um aviso forte às "elites" do partido sempre que estas rejeitem a participação "de facto" em disputas eleitorais. Ambos são factores positivos e, assim de repente, não me lembro de mais nada positivo que resulte destas eleições.
publicado por Manuel Pinheiro às 03:15 | partilhar