"Privilegiados" (dedicado ao Carlos Botelho)

Na foto acima seguem dois portugueses extremamente "privilegiados". Mas extremamente mesmo. Tão envergonhados se sentiam (ou seria soberba?) por causa dos seus "privilégios" que nem sequer tiveram coragem para olhar de frente a câmara que os fotografava enquanto fugiam tentando proteger o anonimato (e os "privilégios"). Ao pé deles, e no que a "privilégios" diz respeito, (quase) todos neste país são nada. Como se não bastasse, as duas personagens da foto nunca trabalharam na vida, sobretudo a da esquerda. Já se perceberá o motivo. Razão para o estatuto de privilegiado? O da esquerda (outra vez) é funcionário público (por isso nunca trabalhou nem trabalhará na vida…), e como o da direita é seu filho (notem-se as parecenças indiscutíveis), são ambos beneficiários da ADSE. Ora ser beneficiário da ADSE é um "privilégio" imenso, alvo de inveja, ou de admiração, em Portugal e nos quatro cantos do mundo.
Mas o da esquerda tem um problema que atenta contra os seus "privilégios" e que nem o facto de ser beneficiário (na verdade privilegiado) da ADSE alivia. Ficou a saber, ao ler este pedaço de boa prosa, que tem emprego “vitalício” e que, portanto, não se poderá reformar (ou aposentar). Morrerá a trabalhar apesar de, como se sabe, os funcionários públicos não saberem o que é trabalhar. Por isso, porque não se aposentará, pergunta angustiadamente. Primeiro: se não se aposentar quando é que poderá finalmente começar a trabalhar? Segundo: para onde vai o dinheiro que todos os meses lhe descontam do salário e cujo destino lhe garantem ser a Caixa Geral de Aposentações. Irá para o IPRI? Para a FCT? Para o IDN? Para ajudar a compor um insignificante subsídio público a alguma Universidade "privada"? Para pagar publicidade de organismos do Estado nalgum jornal? Não me parece… Continuará o "privilegiado" a sua indagação na esperança de ajudar a resolver as aparentemente insanáveis contradições deste mundo. Acreditem.
publicado por Fernando Martins às 23:04 | comentar | partilhar