As Europas

Subscrevo por inteiro o último post do Luís Cabral. Por muito que custe aos Eurocépticos entre nós, a integração de Portugal na União Europeia ou na CEE foi crucial para o nosso (ainda que humilde) crescimento. Aqueles que negam esta evidência e ao mesmo tempo desesperam dos vícios estruturais do País, não sabem o que querem.
Uma possível resposta a este dilema é dizer que a "Europa" enquanto mercado económico e financeiro livre é uma boa ideia, mas que tudo o que estique as instituições europeias para além deste objectivo deve ser rejeitado. Só começaremos a medir o alcance destas considerações quando percebermos que existe uma enormíssima diferença entre "mercado livre" e "mercado único". O "mercado único" é evidentemente "mais livre" do que o mero "mercado livre". Mas as suas exigências institucionais empurram quase necessariamente para uma "União" política ou, pelo menos, para uma constitucionalização das instituições comunitárias.
Um dos mais graves problemas das discussões em torno da putativa Constituição Europeia reside no facto de a constitucionalização das instituições comunitárias não depender primordialmente da ratificação de Tratados internacionais. Ela está sempre em curso, de uma forma mais ou menos transparente, através do Tribunal Europeu de Justiça, por exemplo, ou de algumas pastas particularmente importantes da Comissão, como a da Concorrência. Os Tratados têm mais publicidade, só isso. Os paralelos históricos são sempre precários, mas não me parece forçado sugerir que um processo algo semelhante teve lugar nos EUA ao longo dos últimos 150 anos.
publicado por Miguel Morgado às 15:17 | partilhar