Busan e as peixeiras

Este fim de semana, Busan. a segunda maior cidade da Coreia do Sul, com uns míseros 3,5 milhões de habitantes. Dá para o Estreito da Coreia e o seu porto gigantesco (suspeito que seja dos maiores da Ásia) é o motor da economia local e a porta de saída para os triliões de wons em exportações. Há também uma vaga praia com os habituais resorts, casinos e discotecas. A noite não é má. Mas o melhor é mesmo o peixe e o marisco.
Por isso mesmo fomos um grupo a um mercado de peixe relativamente modesto, mas recomendado por locais. Na Coreia, já se sabe, quando se penetra no "país real" a experiência antropológica multiplica por dez. Foi, felizmente, mais uma vez o caso.
Ao entrarmos os quatro, as peixeiras começaram a gritaria e a risada enquanto apontavam para as nossas caras exclamando "moshisóió!" (bonito). No meio de tanta agitação, com o nosso "survival Korean" conseguimos escolher um peixe para ser morto logo ali e servido em estilo sushi no primeiro andar. Depois do jantar - obviamente o melhor e o mais fresco sushi de sempre - voltámos ao mercado para nos despedirmos. Enquanto se dava nova sessão de berraria, uma das cinquentonas baixotas, discretamente, pega-me no braço, aponta para um cartaz onde consta o seu número de telefone, manda-me um olhar malandro e diz-me "call me, call me". Na saída, um comité de despedida de dez peixeiras. Uma maravilha.
Entretanto começou a monção deste lado (já tinha começado na India): chove à dois dias sem parar e vai ser assim mais um mês.
publicado por Francisco Van Zeller às 13:59 | partilhar