Breve pausa nas eleições americanas para explicar a origem do mundo (I)



Num post aí mais abaixo, discuto com Palmira Silva o que é ou deixa de ser o criacionismo. O pretexto, inevitavelmente, é Sarah Palin e as suas malfeitorias, mas a questão vai mais longe. A questão, como tentei explicar sem sucesso, gira à volta do lugar dos crentes na democracia.

Comecemos por lembrar algumas evidências sobre o criacionismo. Em sentido genérico, pode chamar-se criacionismo a qualquer doutrina que afirme que o universo foi criado por Deus. Quase todas as religiões, incluindo obviamente o Cristianismo, são criacionistas neste sentido e são compatíveis com a teoria da evolução das espécies, uma vez que nem Darwin prova a inexistência de Deus nem as religiões se opõem em geral ao estudo científico do universo. Num sentido mais restrito, dá-se o nome de criacionismo à crença na verdade literal do relato bíblico da criação em seis dias e há cerca de 6000 anos, crença hoje confinada a algumas igrejas protestantes que põem em causa o evolucionismo. Outra coisa ainda é o intelligent design (ID), uma teoria surgida na América em meios próximos do criacionismo literal e que, a partir de dados da observação científica, diz mais ou menos o seguinte: o conjunto de características físicas e químicas que, em dado momento, permitiu o aparecimento da vida na Terra é tão extraordinário e único no universo que nunca poderia explicar-se pelo acaso e, portanto, prova racionalmente a existência de uma vontade superior à natureza. (cont.)
publicado por Pedro Picoito às 18:19 | comentar | partilhar