A Inglaterra e o Futuro

Ao que parece, as autoridades indianas indicam que alguns dos terroristas (pelo menos 2, mas o número pode chegar a 7) que atacaram Mumbai são cidadãos britânicos, nascidos em solo inglês. É verdade que o Primeiro-Ministro Gordon Brown desmentiu que houvesse, por enquanto, informações confirmadas desse facto. Mas também é provável que Gordon Brown não podia ter dito outra coisa. Afinal, Brown apenas disse que o Primeiro-Ministro indiano nada mencionara a esse respeito na conversa telefónica que tivera lugar alguns momentos antes desta declaração. Seja como for, ninguém duvida de que as informações avançadas pelos indianos sejam plausíveis.
Talvez isto sirva de lição (embora outros exemplos pudessem ser dados) a todos os que há uns tempos, aqui em Portugal, juravam solenemente que havia um "modelo anglo-saxónico" de integração das comunidades imigrantes infinitamente mais bem sucedido do que o "modelo francês". Por "modelo anglo-saxónico" os nossos avisadíssimos "analistas" não se referiam apenas ao modelo americano, mas também ao inglês. Só em França é que havia revoltados, excluídos e discriminados. O republicanismo francês, diziam eles, paga-se muito caro numa sociedade que é, queiram ou não, multicultural. Que o republicanismo francês se paga (e se tem pago) caro, não sou eu que o vou desmentir. Mas é igualmente claro que o "modelo inglês" tem produzido a sua quota parte de revoltados, de amotinados, de excluídos e discriminados, e sobretudo de gente que não se identifica como inglesa e odeia mortalmente a Grã-Bretanha.
Nos últimos 20 anos, enquanto as almas piedosas se enterneciam com as virtudes do "modelo inglês" de integração, a sociedade britânica, sob o patrocínio da ideologia multiculturalista, ia gradualmente multiplicando as fortalezas que um dia lhe declararão guerra. Resta saber se essa guerra não começou já.
publicado por Miguel Morgado às 22:09 | comentar | partilhar