Striking back duck

Por causa disto, nas próximas horas, nos próximos dias, vamos todos ouvir a litania da "reacção desproporcionada" de Israel. Como se sabe, as reacções de Israel são sempre, sempre "desproporcionadas". Espera-se, certamente, que os Israelitas respondam com fisgas. Ou com beijinhos, talvez.
Toda a gente parece querer que Israel seja um sitting duck. Um alvo tranquilo. Ninguém parece querer lembrar-se dos ataques permanentes que o sul do país vem sofrendo há anos. As populações da zona de Sderot são constantemente bombardeadas com foguetes qassam e mísseis. São lançados para cima das casas das pessoas de qualquer maneira - o que importa é que lhes acertem. (Espreite-se este quotidiano.) Lembro-me dum caso em que houve mais cuidado com a pontaria. Foi quando os "activistas" de Gaza se lembraram de comemorar a abertura do ano escolar 2007 de Israel lançando qassam para cima de escolas primárias no primeiro dia de aulas. Os valentes rapazes do Hamas sempre a pensar no futuro.
É verdade que tem havido muito menos mortos do que hoje (que, tudo indica, não são civis desarmados), mas, que eu saiba, um "lado" não tem mais "razão" por contar com mais cadáveres nas suas fileiras - para mais quando esses cadáveres são descaradamente usados pela propaganda. Seja como for, a situação era insustentável. Quantos países a suportariam por tanto tempo? E temos exemplos históricos eloquentes da doçura proporcional com que, aqui, na Europa, se dão respostas militares... mesmo não estando em causa a sobrevivência do país...
Israel deveria, talvez, escancarar os seus postos de controlo, retirar a barreira de segurança (o "muro") e deixar matar os seus cidadãos às dúzias de cada vez - em festas de família, pizzarias, discotecas ou, simplesmente, na rua. Esperar que todos se comovessem (esperança vã, tratando-se de Israelitas, com a culpa já inscrita) e então, talvez fossem autorizados a defender-se. Mas devagar.
O que irrita é que eles insistam em não se deixar matar mansamente. Como até 1948.
publicado por Carlos Botelho às 12:47 | partilhar