O discurso dele

Cá está ele de novo. Já todos percebemos que o nosso Führerzeco esbracejante aposta no amedrontamento - vai insistir nessa tecla durante toda a campanha. Trata-se de amedrontar aqueles que estão em condições mais vulneráveis (mesmo os que já estão feridos). Muitos dos mais velhos estão assustados e padecem de uma atávica tolerância para com um "pai" severo ou mesmo brutal que pareça garantir alguma "segurança". Muitos Portugueses, com uma memória real ou induzida da pobreza, no fundo, consideram um luxo a exigência de um primeiro-ministro que não minta como quem respira, que não se tenha revelado incompetente, que não insista em erros clamorosos, que não iluda o público com mil e um artifícios, que não destrate os adversários, que não açule Portugueses contra Portugueses, que não seja um demagogo impenitente. They can't afford it. E não acham ter direito a um primeiro-ministro melhor.

Portas e Louçã também têm (e se têm!) os seus momentos de demagogia, mas a sua demagogia chega a ser brilhante, imaginativa - tanto um como o outro são bem mais criativos (pense-se, por exemplo, na variedade vocabular, nas imagens, no humor - independentemente de nos desagradar o ritmo de Portas ou a visível filáucia de Louçã). Pelo contrário, a demagogia de Sócrates é superficial, vulgar, repetitiva e de uma pobreza confrangedora. (Por exemplo, não chega a ser cortante como Louçã - é apenas brutal.) De cada vez que os "comentadores" e "analistas" vêm elogiar a "eficácia" desse discurso, estão a passar um atestado de menoridade cívica ao público. Nesse sentido, a campanha de Sócrates, tal como vem sendo feita, constitui um insulto a todos nós.

publicado por Carlos Botelho às 00:28 | comentar | partilhar