Acerca da "aposta" socialista nas energias renováveis

O maradona responde aqui ao post de Tiago Julião no Jugular

 

O argumento principal deste Professor Doutor é que a análise do PSD será excessivamente centrada no custo euro/MW, falhando na fatídica "complexificação" (a mania viral que este pessoal de esquerda tem de que é bué complexo dá-me cabo dos brônquios) de todo o problema económico que decorre do desenvolvimento por estímulo Estatal de uma indústria de energias renováveis. Terão sido "30 mil empregos", um VAB de não sei quanto, 1000 aerogeradores em todo o país, e mais as universidades que aproveitam "a boleia" (linda expressão), as competências, etc etc etc.

 

Mas o que o Professor Doutor cirurgicamente se reprime de tentar convencer os demais é se a listagem que faz dos beneficios que o investimento público nas energias renováveis produziu no país não poderiam também ter sido obtidos se, sei lá, esse mesmo investimento tivesse sido direccionado para a produção de cereais, o fabrico de telemóveis e LCDs, ou a realização de filmes de acção com o Jackie Chang no principal papel. Em todos os casos se criariam empregos, se acrescentaria valor ao consumo, se substituiriam as importações por produção nacional, etc, etc, etc.(...)

 

Quando o PSD diz que o euro/MW é mais caro nas fontes de energia renováveis não está a ser simplista. Está a apontar uma realidade que o Professor Doutor Tiago Julião Neves misticamente se reserva ao direito de ignorar, elaborando uma (ia dizer demagoga, mas depois lembrei-me do que tinha escrito ali em cima) lista de beneficios que ou não lhe são únicos ou estão alojados num tempo que não é ainda o nosso.

 

Acresce que há, nesta posição de cautela, também uma "política de futuro": a de que, para países mais pobres e mais atrasados, existe vantagem em não participar de forma substancial nas tecnologias de ponta, e só chegar a elas quando o seu estado de maturação já não representa um encargo que desvie recursos de coisas mais básicas, as quais, estando ausentes, até podem no limite estancar os visionários ímpetos que os governos tentam artificialmente impôr à sociedades que são os seus brinquedos.

publicado por Miguel Noronha às 10:13 | partilhar