A desculpa da “crise internacional”

O governo tem insistido numa cassette para lá do engolível de que os nossos problemas advêm da crise internacional. Vejamos então qual era a evolução da economia portuguesa antes da crise.

 

PIB 2001-08 

Como podem ver do gráfico acima, que apresenta o crescimento económico médio entre 2001 e 2008, só há um país que se comportou pior do que Portugal, a Itália. Dos países menos desenvolvidos da UE, o único que cresceu menos que a média da zona do euro foi Portugal, o único a mostrar um fenómeno de divergência estrutural.

 

É interessante também reparar a posição que ocuparam na última década os países chamados periféricos, que ocupam agora o centro… da crise do euro. A Irlanda e a Grécia ocupavam o topo da tabela do crescimento e a Espanha também estava numa posição claramente acima da média.

 

Vejamos agora a evolução do PIB em 2009, quando se concentrou o essencial da crise económica internacional.

 

 PIB 2009

Antes de mais convém reparar que todos os valores são negativos. Alguns de vocês poderão ficar surpreendidos com o facto da Grécia e Portugal terem sofrido uma recessão relativamente menor do que os restantes países europeus, mas isso explica-se por uma má razão. O facto de terem graves problemas de competitividade levava-os a exportar pouco, o que os colocou quase a salvo do colapso do comércio internacional que despoletou a crise (económica) internacional.

 

Em contrapartida, repare-se no massacre sofrido pela Irlanda e pela Alemanha que, esses sim, sofreram brutalmente com a crise internacional. O caso alemão interessa-nos particularmente porque, apesar de ter sido tão penalizada, já está com uma recuperação tão forte, que já obrigou o BCE a subir as taxas de juro.

 

Podemos assim retirar três conclusões: 1) a crise económica portuguesa é estrutural e muitíssimo anterior à crise internacional; 2) Portugal foi dos países europeus que menos sofreu com esta crise, sendo por isso aquele onde faz menos sentido invocar a crise internacional para explicar o que quer que seja; 3) países que sofreram muito mais com a crise, como a Alemanha, estão já a recuperar há algum tempo, de forma excelente, porque tinham à partida uma posição competitiva robusta. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 15:11 | comentar | partilhar