Em jeito de balanço

A campanha soma e segue. Apesar da crise (e da chuva) as caravanas mantêm o aparato de outros tempos. Os partidos persistem no mesmo modelo estafado, com arruadas e comícios, sempre em busca do melhor momento junto das câmaras, com prejuízo da mensagem. Os jornalistas não ajudam: as perguntas que interessam não são feitas, em vez das propostas realçam o último despique ou gaffe dos candidatos. Estes últimos dias confirmam a perda de qualidade da nossa vida política, a pique nos últimos anos. O espaço público encheu-se de suspeitas e “casos” que nascem e morrem todos os dias. Não se vai a fundo acerca de nada. Nada tem consequências. A mentira banalizou-se disfarçada de marketing, o que conduziu à desconfiança e à indiferença das pessoas. Perdemos sensibilidade. Descemos o nosso padrão de exigência. A responsabilidade é diluída, como se ninguém tivesse a culpa, como se o buraco onde nos meteram fosse fruto de um qualquer acaso, mascarado de "crise internacional". Como se não houvesse decisões e rostos concretos que nos conduziram à pobreza, ao desemprego e à mendicidade internacional.

publicado por Paulo Marcelo às 09:25 | comentar | partilhar