Competências de um governante experiente

Tavares Moreira

 

Uma das observações críticas que já ouvi fazer em relação à composição do novo Governo (...) tem a ver com a falta de experiência político-governativa e o “amadorismo” de alguns dos nomeados. (...) [D]eve (...) concluir-se que a experiência de governo em Portugal, nestes últimos anos – sobretudo no período áureo dos últimos 6 anos – seria uma excelente escola para os novos governantes, que os teria habilitado a governar de forma competente e sábia os destinos do País. Os novos governantes, se tivessem essa experiência, ter-se-iam tornado peritos – ou pelo menos bons conhecedores – em algumas das seguintes áreas ou actividades:

 

(i)Realização de despesas públicas supérfluas;
(ii)Incumprimento recorrente das normas de execução orçamental;
(iii)Gestão “calamitosa” das empresas públicas que lhes caberia orientar estrategicamente;
(iv)Crescimento incomensurável e incontrolável da dívida pública;
(v)Acumulação de enormes atrasos de pagamento do Estado e outros entes públicos ao sector privado;
(vi)Celebração de PPP em condições altamente penalizantes para o Estado e que vão importar encargos muito graves para os orçamentos dos próximos anos;
(vii)Generosa desordem que reina na gestão do SNS incluindo boa parte dos hospitais públicos;
(viii)Concessão de favores a esmo a amigos do partido no poder, em prejuízo manifesto do interesse público e não raro em circunstâncias de escândalo;
(ix)Criação de fundações públicas para realização de despesa pública com evasão às normas de execução orçamental;
(x)Venda de património do Estado a si próprio com vista à realização de receitas orçamentais de laboratório.

publicado por Miguel Noronha às 14:31 | partilhar