Inibição perpétua?


Não conheço Joaquim Ferreira do Amaral, nem posso dizer que politicamente tenha por ele especial empatia. Evidentemente, Ferreira do Amaral não foi particularmente prudente quando aceitou o cargo de presidente do conselho de administração da Lusoponte. A Lusoponte foi constituída em 1994 e, como todos sabemos, foi Ferreira do Amaral quem negociou, em nome do Estado, a concessão para a exploração das travessias rodoviárias do Tejo: Ponte 25 de Abril e Ponte Vasco da Gama.
Isto dito, convém lembrar que Ferreira do Amaral não saltou do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações directamente para a Lusoponte. Pelo meio, entre outras coisas, foi deputado e, mais recentemente, presidente do conselho de administração da GALP. Tanto quanto sei -- alguém que me corrija se estiver errado -- Ferreira do Amaral só assume funções na Lusoponte em 2006, i.e. 12 anos depois do seu envolvimento directo nas negociações de concessão. A ser verdade -- alguém que me corrija se estiver errado -- 12 anos de período de nojo parece-me teoricamente aceitável, ou a inibição deveria ser perpétua?
Repito, Ferreira do Amaral não foi politicamente prudente. A sua imprudência, porém, parece-me ser uma razão insuficiente para colocar em causa, nos termos em que tem sido feito, a sua honorabilidade.
publicado por Joana Alarcão às 16:20 | comentar | partilhar