Ainda pelo futebol

Depois de 8 épocas ao serviço do Benfica e 4 vestido de verde e branco, João Vieira Pinto voltou ao berço, ao Bessa, para mais 2 anos no seu Boavista antes de rumar ao Sporting Clube de Braga para cumprir as duas últimas épocas da sua longa e brilhante carreira.

Apesar dos seus 35 anos, João Pinto participou em 46 jogos, marcou vários golos e deu um enorme contributo para o crescimento desportivo do clube (quer interno, quer no plano internacional).

Todavia, a sua contratação teve um valor que ultrapassou em larga escala os méritos do seu desempenho desportivo e que nem sequer se relacionou com os proveitos obtidos pelo clube em merchandising do atleta. A saber, esse foi um daqueles momentos em que um clube como o Braga pôde dizer que foi tido como uma possibilidade válida, digna e apetecível para um jogador desta craveira prosseguir (ou encerrar) a sua carreira sem qualquer tipo de condicionante afectiva a sustentar essa decisão.

Em verdade, esse foi mais um dos pilares do trilho de crescimento e afirmação que António Salvador vem encetando desde que assumiu as rédeas do clube, com a disputa do título até à última jornada em 2009/2010 e a presença na última final da Liga Europa como marcos de maior relevo.

 

Quando na próxima Sexta-feira - como é bastante provável -, Nuno Gomes vestir pela primeira vez a camisola do Braga, talvez nem se verifique a mobilização eufórica que marcou a chegada de João Pinto, porque hoje no Braga já passou o tempo do "ele e mais 10" e porque essa opção já é vista por toda a comunidade futebolística como perfeitamente natural. Aliás, só por mesquinhez é que esse ingresso pode ser considerado uma afronta ao seu clube de coração, como hoje escrevia Otávio Ribeiro no Record ou como terá estado na base das movimentações de Luís Filipe Vieira para impedir essa contratação.

Mas, num tempo em que já não há paixões clubísticas para sempre e em que os milhões invadiram este quotidiano, não deixa de ser de exaltar que se verifiquem exemplos desse amor genuíno, quase típico de um regresso à infância: a mera vontade de Nuno Gomes jogar à bola, onde e enquanto se sentir bem. 

 

Da minha parte, não espero que Nuno Gomes seja o garante do sucesso do Braga na próxima época, pelo que só lhe peço que, por uma vez que seja, me faça voltar a saltar da cadeira, com vontade de o abraçar, como aconteceu há mais de uma década. E nem precisa de ser a marcar um golo ao Benfica...

publicado por Ricardo Rio às 12:36 | comentar | partilhar