As prioridades e a liberdade na Educação

A Ana Cássia Rebelo (Ana de Amsterdam), entre as asneiras que escreve sobre o cheque ensino e, em geral, sobre a liberdade de escolha da escola, acerta num ponto: os pais com mais recursos económicos, mesmo com a introdução do cheque ensino, arranjariam, se assim o desejassem, forma de manter os seus filhos em escolas privadas e inacessíveis aos restantes alunos que não têm como pagar as propinas.

 

So what? Este problema levantado pela Ana é um caso exemplar de prioridades trocadas. A liberdade de escolha visa principalmente a população que não tem condições económicas para escolher, porque em Portugal a escolha só existe no ensino privado. E é isso que tem de acabar: têm de acabar os limites legais para a escolha da escola pública e tem de aumentar a oferta (i.e. variedade) educativa no público. Há várias formas de o fazer, entre as quais o cheque ensino. O essencial, no fim, é que a liberdade de escolha deixe de ser exclusiva. Algumas escolas manter-se-ão privadas, fora da rede pública? Sim, quem as puder pagar continuará a ter mais possibilidades de escolha. Mas isso não deve significar que os outros, que não podem, devam continuar como estão, sem qualquer liberdade de escolha.

 

Adenda: ler o Miguel Botelho Moniz.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 14:01 | partilhar