Sem Ministério ficará a Cultura 4 anos a dormitar?

 

Temos novo governo, temos novo Secretário de Estado da Cultura. Pode não ter sido a melhor opção, a substituição de um Ministro por um Secretário de Estado, uma diferença de 300 euros no salário do titular do cargo, e no entanto, muito se pode avançar com ou sem Ministério. Se a crise condiciona a cultura esta tem sido uma oportunidade bem aproveitada pelos seus agentes.

 

Senão vejamos, no CCB , Mega Ferreira apresentou uma temporada que não contempla grandes produções europeias, mas tem em cartaz peças e concertos de artistas, músicos, encenadores portugueses, como o Carlos Tê e a Beatriz Batarda.

 

No Minho, sem apoios públicos, Claúdia Regina conseguiu organizar uma rede de teatro amador que enche salas para ver as peças de Becket ganhar corpo e voz. Um trabalho reconhecido este ano pela Academia de Produtores Culturais que lhe atribuiu o prémio Natércia Campos. Uma produtora cultural que em entrevista ao Público pedia ao Estado um novo enquadramento legal que lhe permita dar mais aos mecenas interessados em apoiar os seus projectos.

 

No Teatro São Carlos, no D. Maria II e no Teatro S. João as mudanças também estão em curso, com casa cheia, oferta diversificada e bilheteiras on-line. Será que os teatros nacionais têm mesmo de passar a ser um só? Ou na realidade precisam é de autonomia suficiente para gerir o seu próprio negócio.


E agora … começo a ouvir os velhos do Restelo a dizer que a educação de públicos faz-se com acesso a produções de qualidade, demasiado caras para o bolso dos cidadãos e que por isso mesmo têm de ser subsidiadas. Mas não podem antes apoiar-se nos privados, nos particulares e no público, ao invés de estar na dependência total do Estado? E não podem os teatros gerir as suas vidas e não estar à espera da pesada burocracia do Estado para substituir o telhado?


Há muito trabalho a fazer nas entidades públicas que estão na dependência do Estado, medidas que não exigem dinheiro e sim reorganização, autonomia, legislação adequada e principalmente exclusividade. Porque também na cultura há quem trabalhe menos, em horário de mercearia, quando a cultura acontece todos os dias, incluindo fins de semana e feriados.

publicado por Joana Alarcão às 19:32 | comentar | partilhar