O que podemos nós concluir dos acontecimentos recentes?

 

a) O projecto europeu de união económica falhou. Ou se avança para a indesejada união política (depois não se admirem do ressurgimento do nacionalismo e xenofobia) ou então será melhor assumir-mos um downgrade do projecto europeu. Isto se ainda quiserem salvar qualquer coisita da UE.

 

b) O intimas relações entre o sistema financeiro e o estado em que os segundo compram a dívida ao segundo que por sua vez avaliza os empréstimos e a garante a sobrevivência dos segundos está a revelar-se (surpresa!) desastrosa. Criou-se um perigoso mecanismo de transmissão das crises das finanças públicas para as privadas (e vice-versa) que garante a amplificação das crises e a socialização dos prejuízos;

 

c) A tentativa de contenção de estragos na UE falhou. E não vale a pena continuarmos a fingir que os países têm condições para redimir toda a dívida acumulada;

 

d) O estímulo orçamental apenas agravou a crise das finanças públicas e adiou a necessária redução da despesa pública;

 

e) O "modelo social europeu" só é sustentável em países com riqueza suficiente para esbanjar em projectos improdutivos. E mesmo assim implica uma erosão da riqueza acumulada e a menores taxas de crescimento. Em suma, provoca um empobrecimento progressivo que a prazo também não será sustentável.

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publicado por Miguel Noronha às 09:28 | partilhar