O que está em causa

*Este quadro é uma das opções que Obama poderá seguir em Agosto

 

Na imprensa portuguesa, e um pouco por todo o mundo, tem-se abordado de forma muito simplista o que poderá acontecer aos Estados Unidos caso o limite do endividamento do estado federal não seja aprovado pelo Congresso. Não duvido que se acontecesse seria uma verdadeira catástrofe, e como tal, não acredito que irá suceder. Mas será que os Estados Unidos iriam deixar de cumprir os seus compromissos em relação à dívida? A resposta é não, pelo menos para já. 

 

Segundo as contas do departamento do Tesouro, irão entrar nos cofres federais no mês de Agosto cerca de 172 mil milhões de dólares, enquanto a despesa prevista é de cerca de 306 mil milhões, o que deixa um défice de 134 mil milhões. Segundo as estimativas existentes, o valor da receita daria para pagar a dívida mensal, cerca de 29 mil milhões, mais alguns programas federais, como o Medicaid e Medicare, a Segurança Social ou os valores do subsídio de desemprego. Mas pouco mais. A escolha onde cortar seria do Presidente. Ora, se é verdade que os Estados Unidos continuariam a cumprir com as suas obrigações internacionais no que respeita à dívida, haveria uma quase paralisia no estado federal. Dependendo das opções que Obama tomasse, o departamento de apoio aos veteranos, o FBI ou o Departamento de Educação, apenas para dar alguns exemplos, deixariam de ter dinheiro para continuarem em funcionamento. Por isso, à excepção de alguns ideólogos mais fanáticos, nenhum político responsável assumirá o ónus de deixar o país entrar nesse buraco. Os republicanos pretendem aproveitar este momento para obrigar os democratas a aprovar um plano de redução do défice, com cortes nos programas federais que estão a levar os Estados Unidos à ruína financeira. Os democratas têm resistido a estes cortes, defendendo pelo contrário um aumento de impostos. Ambos os partidos têm responsabilidades nesta discussão e pela forma como ela se tem arrastado pela arena mediática. Tudo aqui se resume a ganhar a batalha pelas "mentes e corações" dos americanos relativamente a este assunto. Mas uma coisa é verdade, até olhando para o gráfico do mês de Agosto: os EUA não podem continuar a viver como até aqui, gastando o dinheiro que não têm. Tal como Portugal. 

publicado por Nuno Gouveia às 15:20 | comentar | partilhar