Três notas sobre o acordo

Ainda não tive tempo para digerir todos os pormenores do acordo mas gostava de deixar já algumas notas:

 

1. Continuam-se a inventar rebuscados estratagemaspara evitar para evitar fazer a necessária e inevitável reestruturação da dívida dos PIIGS. No entanto o resultado final é cada vez mais parecido com uma reestruturação. A Fitch concorda e promete tratá-la como tal.

 

2. Sendo o programa de recompra voluntário acho muito pouco provável que venha  ter sucesso. Quem o fizer terá de admitir perdas nos títulos de dívida grega. Numa altura em que as instituições financeira tentam a custo melhorar os seus rácios de capital não estou a ver que que um programa destes tenha grande adererência. Convém ter em atenção este e outros argumentos que são detalhadamente explicados aqui e aqui.

 

3. Escreve-se neste artigo que "Se esta "acção decisiva" [o acordo] tivesse sido tomada há um ano, Portugal estaria seguramente sob um programa severo de austeridade, talvez não muito diferente do actual, mas poderia continuar a viver do mercado a taxas comportáveis.". Gostava muito que os que aplaudiram este artigo me explicassem de que forma este acordo afectaria o nosso acesso aos mercados. E convém também recordar que há um ano as medidas de austeridade propostas eram risíveis e a sua implementação falhou desastrosamente. Enfim...

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publicado por Miguel Noronha às 15:26 | partilhar