O que é injusto e imoral em Portugal não é 'os ricos não pagarem impostos', imoral e injusto é o estado gastar por ano METADE do que os portugueses produzem

Todos os minutos que perdermos discutindo se se deve ou não aumentar os impostos sobre os 'ricos' ou se se deve ou não taxar as heranças e as doações ou se, como na descabelada proposta do PS, se se deve penalizar fiscalmente as empresas que são lucrativas e já pagam IRC são minutos que se perdem no combate ao maior problema do país: o tamanho do nosso estado, que de tão grande absorve recursos aos particulares e às empresas que os esmagam, os deixam sem capacidade de poupar, de investir e até de consumir (para chegarmos ao item das contas nacionais preferido dos keynesianos); logo, que os impedem de produzir e de criar riqueza no país.

 

É iníquo este discurso contra os 'ricos', e eu que não olhei para o lado e não fingi que o injusto saque ao subsídio de Natal decretado por este governo era mais do que um atentado à economia e aos portugueses, que o governo a isso havia sido obrigado ou que não era um péssimo sinal sobre o que poderíamos esperar da política de finanças públicas (e que se tem concretizado), digo-o e repito-o quantas vezes forem necessárias.

 

O que é fundamental para este país não é taxar os ricos - cujos rendimentos já foram taxados, que têm uma capacidade de poupança (coisa preciosa por estes dias) que interessa não castigar, que podem deslocalizar-se com facilidade e que, infelizmente e devido ao estúpido socialismo deste país, são poucos. Nem taxar as heranças ou doações - uma proposta inaceitável que já me fez arrepender de ter votado em Cavaco Silva e que, felizmente, o governo parece recusar; uma proposta que, mais uma vez, desincentiva a poupança (só se poupa até ao fim da vida se tivermos a quem deixar as poupanças; se não houver herdeiros, desbarata-se o que ganhámos e tenta-se, como Oscar Wilde, morrer acima das possibilidades); e uma proposta anti-natural, porque doações de pais para filhos deveriam estar absolutamente fora da esfera de intervenção do estado; o incentivo da maioria das pessoas para constituir património é precisamente o de ter algo para deixar aos filhos, de poder dar uma vida financeiramente mais confortável aos filhos. Nem desincentivar as empresas de terem os maiores lucros possíveis - maximizar os lucros é a obrigação de qualquer empresa.

 

O que está fundamentalmente mal neste país é o estado monopilizar metade do que produzimos. Concentremo-nos, portanto, aí, que já teremos trabalho abundante, e deixemos-nos de socialismos.

publicado por Maria João Marques às 22:36 | partilhar