O (in)sucesso do ensino secundário português

O relatório Education at a Glance 2011 (OCDE) saiu hoje e pôs o programa Novas Oportunidades (NO) novamente na agenda mediática. Duas notas.

 

1. A OCDE não descobriu nada de novo, por muito que isso custe aos jornais. A notícia nasce do gráfico abaixo (publicado na página 44 do relatório da OCDE), que nos oferece uma perspectiva comparada sobre a realidade portuguesa – cujos dados claríssimos foram aqui publicados no Cachimbo, e que por si só deveriam ter sido notícia ou, pelo menos, um motivo para alarme. Estamos no topo do ranking, um lugar que infelizmente não nos pertence, até porque as notícias não são nada animadoras. Talvez valha a pena relembrar aos saudosistas socráticos que, nesse mesmo gráfico, se tivermos em conta apenas os alunos que completaram o ensino secundário com menos de 25 anos (i.e. os alunos em situação normal), estamos isolados na cauda da UE27, só com México e Turquia abaixo de nós.

Este salto do topo para a cauda do ranking é de simples leitura e não passará despercebido a ninguém que estude políticas educativas. Significa isto que a mensagem para consumo interno do anterior Governo, a do sucesso educativo no ensino secundário, que dependia desta fraude estatística da indistinção entre alunos do ensino recorrente e alunos do NO, não passou despercebida lá fora. Por cá, só acreditou quem quis; talvez agora se possa regressar calmamente à realidade. O ministro Nuno Crato tem, por isso, toda a razão.

 

 

2. O programa Novas Oportunidades (NO) tem defeitos, mas também tem virtudes, e isso aparece no gráfico acima. Numa população com o perfil da portuguesa, é importante que exista uma forte preocupação com a chamada adult education, para que se consiga aumentar a instrução da população fora da idade escolar, que é muito baixa. O problema nunca foi o programa em si, mas a suspeita, demasiadas vezes confirmada, de se tratar de uma certificação cega. Houve da parte do anterior Governo, e por vezes da Oposição de então, uma excessiva politização do NO, que prejudicou a sua normal implementação. Se devidamente monitorizado, o NO tem tudo para constituir um case-study internacional de política educativa de sucesso no que à adult education diz respeito.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 17:49 | comentar | partilhar