E agora?


Segundo o EFFIS, em Agosto arderam 94016 ha, ultrapassando todos os anos desta década com excepção de 2003 e 2005. Trata-se efectivamente de um claro retrocesso no “sucesso” da política de controle e combate aos incêndios florestais tão apregoada pelos socialistas e anualmente reiterada desde 2006. A tónica positiva manteve-se mesmo em 2009, apesar da área ardida ter quintiplicado relativamente a 2008. O governo apresentou os 87 416.27 ha queimados nesse ano como um sucesso, porque se tratava de um valor inferior ao objectivo estipulado no plano nacional de 100 000 ha anuais.
Depois de 116 milhões de euros investidos dos 170 milhões do Fundo Florestal Permanente oriundos da ecotaxa financiada com o imposto petrolífero (dos quais pouco ou nada se sabe), depois dos planos, das estratégias, das campanhas de sensibilização (que este ano não existiu ou passou despercebida), depois de muito papel e de novos organismos e novas competências, os socialistas bem podem questionar os dados europeus, acusar o tempo e as as gentes, revelarem tiques de “ PREC mental” com ameaças de nacionalização, a realidade é apenas uma: Portugal continua a arder e, num lento processo de combustão, a empobrecer.
Resta agora assistir à estratégia de comunicação que o executivo adoptará para do real fracasso criar o aparente sucesso. Nesta como em outras áreas da actuação governativa vale a pela ler o conto do roubo do elefante branco de Mark Twain.
publicado por Eugénia Gamboa às 15:06 | partilhar