argumentação selectiva

Acusa-se aqui o Ministro da Educação de aumentar o financiamento às escolas com contrato de associação (escolas públicas, pois não há propinas nem critérios de selecção) quando está a cortar nos gastos de todas as outras. Esquece-se, entretanto que:

 

1. as escolas com contrato de associação existem porque as escolas estatais não chegam a todo o lado;

2. os alunos que não se puderem inscrever nestas escolas, porque estas fecharam ou diminuíram o número de turmas, vão custar mais dinheiro ao Estado ao inscreverem-se numa escola estatal;

3. o orçamento destas escolas por turma, no ano passado, foi aproximadamente 114 mil euros, pelo que, sendo 85 mil neste ano lectivo, em vez dos 80 mil antes impostos, não se está a aumentar o financiamento, mas a fazer um corte menor;

4. quer-se que o financiamento às escolas com contrato de associação seja idêntico ao das escolas estatais, mas não se tem a capacidade de informar sobre o custo anual de um aluno numa escola estatal; assim sendo, não há razão para considerar que, tratando-se em ambos os casos de ensino público, 80 mil euros é mais justo do que 85 mil; o único critério é, quanto muito, cortar nas despesas enquanto se procura evitar que o corte seja demasiado abrupto, de modo a que não aconteça o que se explica no ponto 2.

 

Há que dizer que o potencial de desinformação sobre este acordo era tão grande e previsível que o MEC devia ter preparado adequadamente a sua comunicação e hoje, data da publicação da portaria, não dar espaço a este tipo de crítica.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 17:01 | comentar | partilhar