Os rankings a fingir (2)

Uma das consequências destes rankings, como escrevi abaixo, é relançar, over and over again, a comparação entre escolas privadas e escolas estatais. O problema é que a comparação não é ponderada em função dos índices socioeconómicos, pelo que uma leitura superficial dos rankings sugere uma relação causa-efeito entre a frequência de uma escola privada e a melhoria dos desempenhos escolares. Esta relação não se verifica, e basta olhar para os países onde existe informação estatística disponível para o constatar (ler aqui).

Apesar de a frequência do ensino privado não ter um impacto positivo no desempenho escolar de um aluno, comparativamente à frequência de uma escola estatal, quem pode, foge das escolas estatais. Parte do debate devia então ser sobre as razões porque isso acontece, e o que podem as escolas estatais aprender com isso. As evidências internacionais apontam que as escolas privadas são preferidas essencialmente porque, para além de terem uma boa reputação, têm uma liderança forte, promovem um ambiente controlado, garantem uma maior segurança, permitem uma reprodução social, abrem portas ao networking, e se responsabilizam mais pelo bom desenrolar das actividades escolares. Se algumas destas características são inerentes ao carácter privado das escolas, outras, como a liderança, não o são, e podem ser um ponto de partida para a reflexão acerca do actual modelo de gestão das escolas estatais.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 17:12 | partilhar