Não ter ponderação

Situação hipotética. Duas escolas vizinhas têm uma média de 14 valores, classificando-se por isso no topo do ranking das escolas. Se aplicássemos uma ponderação por nível socioeconómico, descobriríamos que, apesar de terem a mesma média, há uma delas que tem resultados muito inferiores à outra face ao que seria de esperar contando com o índice socioeconómico. Ou seja, numa delas, seria de esperar que a média fosse de 16 valores e se tal não acontece é porque a escola tem algo a funcionar mal que puxa os seus alunos para baixo.

 

Serve isto para ilustrar porque razão é um disparate o que o João Miranda escreve aqui. Sem dúvida que o perfil do corpo estudantil é importante, mas a maioria das famílias portuguesas não tem a possibilidade de escolher o privado ou as públicas “melhor frequentadas” para os seus filhos. Não há razão para que, por isso, fiquem limitadas pela ausência de informação sobre o real desempenho das escolas.

Já agora, não há lá fora um ranking, relatório ou estudo académico que não faça a ponderação dos resultados por índice socioeconómico. Talvez o João Miranda pudesse fazer chegar os seus argumentos, por exemplo, à OCDE.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 12:55 | partilhar