Somos os melhores mas estamos em último - a desinformação sobre a educação no país

Nos jornais, entre 2ª e 3ª feira, leio duas notícias (ambas da Lusa) sobre o estado da educação no país: (1) que Portugal foi o país da UE que mais progrediu na conclusão do 12º (a propósito de um relatório do CNE) e (2) que a conclusão do secundário em Portugal é das mais baixas de países ocidentais (a propósito de um relatório da UNESCO). Ora, a menos que tenhamos melhorado muito mais do que os outros e mesmo assim ficado em último, há aqui algo que não bate certo.

 

E o que não bate certo é, precisamente, o mesmo que não batia certo nas notícias sobre dados semelhantes, publicados a 13 de Setembro deste ano pela OCDE, no Education at a Glance 2011, sobre os quais escrevi na altura e cujo gráfico agora recupero.

 

 

Estão a ver Portugal em 1º lugar? Estão a ver que a coluna tem dois tons de azul? Agora imaginem que retiravam o azul mais claro (que é o Novas Oportunidades) e reclassificavam os países. Pois é, Portugal ficaria em antepenúltimo (só com a Turquia e o México atrás). Se a diferença costuma estar nos detalhes, é caso para dizer que este pormenor é mesmo muito grande.

 

Que isto sirva de exemplo, e que não restem dúvidas, que este tipo de manipulação de dados e esta constante desinformação sobre o estado da educação em Portugal são uma das maiores forças de bloqueio à reforma educativa, desviando a nossa atenção sobre o que realmente importa e não chega aos jornais como, por exemplo, o facto de termos 30% de abandono escolar.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 16:13 | comentar | partilhar