Crónicas do Planeta Oval

Finalmente, a Nova Zelândia ganhou o Mundial de rugby. (Free at last, free at last, free at last...) Mas não foi tão fácil como todos prevíamos. Quando, a meio da segunda parte e depois de longos minutos de pressão que obrigaram os All Blacks a cometer erros sobre erros, Dusautoir marcou o ensaio que lhe valeu o título de melhor jogador do mundo e pôs a França a um ponto dos anfitriões, depois de convertido por um Trihn-Duc que mostrou de novo a Lièvremont  a follie eiffeliana de o deixar no banco, nenhum dos milhões de espectadores que estavam à frente da televisão deixou de recordar imediatamente na repetição da história de 1999 e 2007. E quando o desinspirado Jimmy Cowan, que substituíra o ainda mais desinspirado Piri Weepu, chutou para fora a bola que os seus avançados tinham escondido dos gauleses em sucessivos rucks estáticos nos últimos minutos de uma guerra de nervos, assim terminando a final e 24 anos de espera, o que se ouviu não foi o grito de alegria de uma nação inteira: foi um suspiro de alívio tão grande que deve ter deslocado o Cruzeiro do Sul.

Mas eles mereceram - sofrer e ganhar. Só a França, a sua némesis, lhes levantou algumas dificuldades. E a Argentina (menos). A Austrália foi despachada em meia hora e a fase de grupos foi um passeio, incluindo no passeio o primeiro jogo contra a França. O mais espantoso é que os maoris conseguiram vencer o Mundial com uma equipa inferior à de 95 e 99 (que tinha Lomu, mas não só), com o capitão Mc Caw semilesionado, sem Dan Carter desde os quartos-de-final (e a falta que ele fez...) e sem um médio de formação à altura dos restantes campeões do mundo (Cowan é de uma banalidade atroz e Piri Weepu foi pouco menos que catastrófico na final). Um conjunto de gajos que, mesmo assim, leva a taça - só pode ser bom...   

Em jeito de despedida, nos próximos dias deixarei aqui o meu XV ideal e algumas conclusões.

publicado por Pedro Picoito às 23:56 | partilhar