A última oportunidade

Em dia de greve geral é conhecido o Barómetro da Marktest/TSF/DE, que coloca o PSD a subir, com 45,4% das intenções de voto, mais do dobro do PS, com 19,7%. O PCP desce para os 7,9%, o CDS está nos 5% e o BE com 4,1%. Mesmo apesar das medidas dificeis e impopulares tomadas por este governo, a confiar no resultado deste barómetro, a coligação continua extremamente popular junto do eleitorado. Estes números indicam que o povo português, se calhar por uma última vez, estão dispostos a aceitar os sacríficios exigidos para salvar o país. O governo deve encarar estes números com optimismo moderado, pois significam que há espaço para implementar as reformas em curso com tranquilidade. Ao contrário do que alguns grupelhos radicais desejariam para as ruas portuguesas, a violência generalizada que assistimos na Grécia dificilmente será uma realidade em Portugal. E a acontecer, servirá apenas para reforçar a popularidade do governo. Mas este deve assumir as suas responsabilidades: este rumo terá de mostrar resultados bem visíveis nos próximos anos. E se chegarmos ao fim da legislatura sem que os portugueses reconheçam que valeu a pena, a queda será abrupta e a desconfiança dos portugueses em relação ao regime, e não apenas aos partidos, será, talvez, irreversível. A responsabilidade da coligação PSD/CDS é salvar o país, mas sobretudo devolver a credibilidade ao sistema político português. 

publicado por Nuno Gouveia às 22:32 | partilhar