Uma batalha nuclear

 

A energia é cada vez mais um tema de contenda na disputa eleitoral. E Portugal tem prova disso, Sócrates e o PS foram os primeiros a explorar o tema com sucesso eleitoral (Foz Côa, renováveis).

 

Depois dos Estados Unidos (lembram-se do famoso slogan republicano "drill, baby, drill"), da Alemanha, é agora a vez da França, as próximas eleições presidenciais também se jogam neste tabuleiro – com o PS francês a fazer uma aliança pré-eleitoral com os verdes (Europe Ecologie Les Vertes) para o encerramento de 24 das 58 centrais nucleares francesas até 2025, e a suspensão da construção de mais centrais nucleares após Flamanville. O UMP responde acusando o PS de demagogia, e de querer destruir a indústria nuclear francesa, de não ter consciência do impacto social e económico, de uma decisão destas. Esta pode ser uma das batalhas nucleares das próximas eleições presidenciais em França. E lá, se a coisa vira, temos o mais sério e significativo revés (talvez fatal), da indústria nuclear europeia.

 

Neste mesmo tabuleiro, Sarkozy também não se inibe de jogar as suas cartadas eleitorais, e por decreto, resolveu congelar o preço do gás até às eleições. Só que teve azar, por decisão do Supremo Tribunal Administrativo, após recurso dos comercializadores, o decreto foi suspenso. A batalha continua.

publicado por Victor Tavares Morais às 07:55 | partilhar