Precisamos de um "contrato de transparência"

 

Entre ontem e hoje, soubemos que a Universidade Técnica de Lisboa tem uma empregabilidade de 95% e que foram encerrados no país 376 cursos, principalmente por falta de alunos. Estas duas notícias relembram uma coisa elementar: como já não basta ser licenciado para se conseguir emprego, a empregabilidade dos cursos é uma preocupação crescente nos jovens que entram no ensino superior. Nesse aspecto, tratam-se de duas boas notícias – há uma universidade a conseguir colocar os seus alunos no mercado de trabalho e há cada vez menos alunos a optar por cursos de baixa empregabilidade (um mestrado em poesia medieval francesa serve para fazer o quê?).

 

A má notícia é os jovens portugueses continuarem a tomar estas decisões com base em informação dispersa e, muitas vezes, por mera intuição. Continua a não ser divulgada, pelas universidades portuguesas, informação acerca da empregabilidade dos cursosempregabilidade total e na área de formação, média dos rendimentos no 1º ano de empregabilidade e 5 anos após terminar o curso, satisfacção com os conteúdos leccionados e aplicação destes na vida profissional, etc. – quando é sabido, como comprova a notícia do Público, que essa informação não é difícil de aceder e que as universidades quase sempre a têm – se não a divulgam é porque não lhes convém. Ora, o interesse dos jovens não deve ficar refém dos interesses das universidades; há que inverter esta relação.

 

Está, portanto, na hora de o Governo recuperar a proposta do Adolfo Mesquita Nunes, que em Março de 2011 defendeu a criação de um “contrato de transparência” entre as universidades e os alunos. Não é nada de outro mundo, existe em muitos países e seria um contributo significativo para a tomada de decisão dos jovens. E também não seria difícil de implementar, bastando ao Governo exigir às universidades, pelo menos às do Estado, a divulgação desta informação.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 11:03 | comentar | partilhar