Empobrecimento escolar provável

Por mais que me esforce (incapacidade minha, certamente), não consigo descortinar qualquer vantagem (escolar, cultural ou formativa, entenda-se) no confinamento linguístico que é a obrigatoriedade da Língua Inglesa nos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico. (Acham mesmo ser essa a via para melhorar as aprendizagens em Inglês, acham?...) Por outro lado, a apregoada "autonomia das escolas" não deve servir de pretexto para efectivos empobrecimentos curriculares. Estes, paradoxalmente, constituem, afinal, uma redução da "liberdade": quem é mais "livre", o aluno da EBS32 de Brejos da Campina, que pode escolher dentre várias línguas estrangeiras, ou o desgraçado da EBS45, de Souto do Alípio, remetido numa escola com um "projecto educativo" miserabilista?... O bom senso deveria fazer pensar que o "centralismo" não é necessariamente nocivo, nem a "autonomia" a panaceia para todas as insuficiências. (Como se calcula, este princípio não se aplica a estribilhos como "implodir o Ministério da Educação" e outras palermices bombásticas que fazem delirar a matula "liberal" e que, certamente, farão agora corar o autor da expressão, um homem inteligente com momentos sombrios.)

Também não vislumbro qualquer motivo para nos alegrarmos com a redução a uma "opção obrigatória" na Formação Específica do 12ºAno. (Até agora, os alunos podiam escolher duas dentre quatro disciplinas: Biologia, Física, Química e Geologia, no Curso de Ciências e Tecnologia, p. ex.)

Mais uma coisinha: esses que por aí embandeiram em arco com a "proposta de revisão curricular", que avança com a eliminação do desdobramento das turmas de Ciências da Natureza, no 2º Ciclo e "alteração [um eufemismo] do modelo de desdobramento" das ciências experimentais do 3º Ciclo, esses acaso saberão porque existe esse desdobramento? Porque será? (Pensem um bocadinho, verão que não dói.)

publicado por Carlos Botelho às 02:00 | comentar | partilhar