Os três estarolas

Em menos de oito dias, três grandes do PS ofereceram-nos três enormidades colossais que merecem referência por nos revelarem a total irresponsabilidade e a falta de preparação daquela gente.

 

Armado em conferencista, e filmado por um vídeo igualmente amador, Sócrates apregoou que pagar a dívida era ideia de criança, pois assim teria estudado, embora não saibamos muito bem onde nem em que fim-de-semana.

 

Depois veio António José Seguro, envergando os seus melhores óculos de conferencista, defender a aplicação de sanções aos países cumpridores. Leram bem: quer sanções para aqueles Estados membros da zona euro que tenham excedentes financeiros e não acorram a salvar os incumpridores. Notável. Notável como a plateia se não desmanchou à gargalhada.

 

Agora veio um Pedro Nuno Santos berrar para a rádio Paivense FM que se estava a marimbar [sic] para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal, que se estava a marimbar que nos chamassem de irresponsáveis [sic], pois nós tínhamos a bomba atómica [sic] que era dizer que não pagávamos, pelo que ou os alemães se punham finos ou nós não pagávamos [sic]. De acordo com o iluminado, isto deixaria os banqueiros alemães com as perninhas a tremer [sic]. Simplesmente fabuloso, merece ser ouvido.

 

Para além de se evidenciar que a bomba atómica não pode estar na mão de tolos irresponsáveis, todo este conjunto de disparates obriga a algumas reflexões. Os disparates têm de semelhante provirem de dirigentes socialistas, dirigentes daquele partido que nos colocou à beirinha da bancarrota e negociou como quis há meia dúzia de meses os empréstimos de que falamos. Têm ainda de coincidente a benevolência da comunicação social, tantas vezes tão crítica quando lhe interessa como silente quando lhe convém: é extraordinário que não haja manifestações de gozo relativamente a estas afirmações, que mais parecem saídas de um personagem do Herman, dos Gatos ou do saudoso Raul Solnado.

 

A irreflexão, irresponsabilidade e inconsciência desta gente, aliada à evidente falta de preparação, só nos pode levar a concluir que eles não podem ser levados a sério. Ou então, se querem ser levados a sério, teremos de concluir que são incompetentes. Claro que, acaso não queiram ser catalogados de incompetentes, terão de ser catalogados como intelectualmente desonestos. Em qualquer dos casos, nenhum fica bem na fotografia e todos parecem estar a gozar com o esforço actual dos portugueses.

 

Na disto me surpreende, vindo desta gente, e até Zorrinho considerou as afirmações adequadas aos personagens e aos locais, mas não posso esquecer as fabulosas atenuantes invocadas pelos próprios: Pedro Santos defendeu-se dizendo que falava num jantar partidário no interior do país, estilo bacalhau basta, e Sócrates alegou não ter consciência de que estivesse a ser filmado. Pois: o Nersão também não tinha.

 

A gente desta não se deve dar a mão.

 

Vasco Lobo Xavier

publicado por Cachimbo de Magritte às 16:44 | comentar | partilhar