Balanços e balancetes

A mensagem mais repetida pelo Governo, nestes primeiros meses, foi a de que vivemos uma situação de emergência. Só isso permite justificar os impostos e os cortes de salários. Tudo para evitar o “colapso do País”, como disse Passos Coelho. A austeridade permite ganhar tempo, mas não chega. Cortar nos desperdícios e consumos intermédios é muito mas não resolve o problema, que é mais complexo e não se resolve com medidas transitórias, como cortar subsídios de férias e Natal.

O modelo de Estado que construímos nas últimas décadas deixou de ser sustentável. Não produzimos riqueza suficiente para o manter. Percebendo isso é preciso ir mais longe, mudar de paradigma. Repensar o que deve (e pode) ser Estado nas próximas décadas. Redefinir as suas funções. Faz sentido, por exemplo, manter o Esatdo como o principal prestador de serviços na educação e na saúde? A única forma de salvar o estado social é reformá-lo. Se por imobilismo não o fizermos arriscamo-nos a não ter sequer dinheiro para as coisas mais básicas.

Victor Gaspar disse numa entrevista que ”cortes racionais, estruturais e sustentáveis na despesa exigem tempo para desenhar as soluções e tempo para as executar”. Não vejo como discordar. Passados seis meses já houve tempo para tirar as medidas aos gabinetes e sobretudo ao país. O próximo ano, por isso, será o ano da verdade, em que vamos perceber qual é a real capacidade reformista deste Governo. O PM falou ontem disso na sua mensagem natalícia. Prometeu um "ano de grandes mudanças e transformações" . Vamos ver se há coragem para isso. 

publicado por Paulo Marcelo às 11:11 | partilhar