O problema de Portugal

Nesta crise, o problema de Portugal é simples. O problema é que consumimos mais do que produzimos. A solução, passa por consumir menos (o que se traduz numa crise), por produzir mais (o que geralmente é lento), ou por uma mistura de ambos.

Tudo o que não vise essas duas realidades é mero remendo que não dura.

A expansão do crédito, primeiro das famílias e das empresas, e agora do Estado, foi aquilo que nos permitiu consumir mais do que produzimos. A expansão contínua do crédito, provocou a ilusão de uma economia maior do que ela realmente era. O terminar da expansão, contrai a economia para o que ela realmente é (ou até ligeiramente abaixo, se contarmos com a necessidade de pagar o que antes se pediu emprestado). A diferença entre uma e outra situações (expansão do crédito e sua estagnação), é vista como "a crise".

Uma vez que as famílias e empresas não têm mais capacidade de expandir a sua dívida (e agora, na ausência dessa expansão, até aumentarão muito o seu incumprimento), e dado que o Estado também começa a ser obrigado a conter o déficit orçamental, e por fim levando em conta que a expansão da produção é algo difícil de obter num prazo curto, "a crise" é largamente inevitável.

Tudo o que se pode esperar da crise, é que ela produza uma reestruturação da nossa sociedade, que lhe permita aumentar a sua produção, a sua riqueza, e portanto, também o seu consumo. Algures no caminho as pessoas esqueceram-se que as bases da nossa sociedade são a especialização e o comércio - cada um de nós produz essencialmente para os outros, de forma a obter dos outros aquilo de que necessita e deseja. Inventaram-se inúmeros esquemas e complexidades, que obscurecem esse facto. A forma de repor a sociedade no caminho correcto, é trazer essa verdade simples novamente à tona.
publicado por Joana Alarcão às 01:24 | comentar | partilhar