Luísa Sobral


 

O Teatro Virgínia em Torres Novas encheu-se para ouvir a Luísa Sobral no passado sábado. Um ambiente fantástico muito devido a uma intervenção de bom gosto num teatro antigo que não cheira a mofo mas, sobretudo, por «culpa» de uma agenda cultural bem feita que organiza em torno daquele «pequeno lugar» uma vida social e artística permanente que faz inveja a muitas cidades grandes.  O que aconteceu naquele espectáculo não foi apenas uma rapariga moderna, premiada no estrangeiro,  a cantar jazz. Foi um happening artístico memorável:  fado e tango, música, imagem e representação.  A Luísa Sobral tocou numa sala de estar, com ventoinhas, figuras de papel, sombras,  uma caixa de música comprada no ebay, xilofone, piano, bateria, contrabaixo e desenhos infantis.  Arriscou coisas novas, espontâneas, maduras. Faltou o som da guitarra, nem se importou.  Disse-nos logo que ia sem rede e sem medo de cair. E não caiu. Vale a pena ir a Torres Novas, onde os bilhetes são baratos e pagam as portagens e a gasolina e onde existem raparigas espertas a cantar jazz.

 

publicado por Ricardo Roque Martins às 12:00 | comentar | partilhar