Fim do euro (6) Um exagero

No Jornal de Negócios de ontem Matthew Lynn, presidente executivo da Strategy Economics, afirma: "Esqueçam a Grécia. É Portugal que vai destruir o euro".

 

“A única coisa que poderia evitar o incumprimento seria uma ampla ajuda financeira por parte do resto da Zona Euro. Isso estabilizaria a dívida e daria à economia uma hipótese de crescer. Mas isso não vai acontecer – por isso, o ‘default’ é a única opção. É apenas uma questão de tempo”.

 

Se, como este investidor antevê – e bem –, a queda de Portugal a seguir à da Grécia implicaria a implosão do euro, então há todas as razões para supor que os líderes europeus fariam tudo e mais um par de botas para impedir a queda de Portugal. Será que isso é possível?

 

Segundo o IGCP, no final de 2011, a dívida directa do Estado elevava-se a 174,9 mil milhões de euros. Deste total, 35,9 mil milhões já eram fornecidos pelo Programa de Assistência Financeira (PAF). Descontando outra dívida não cotada (sobretudo Certificados de Aforro), já “só” havia 120 mil milhões de euros de dívida pública portuguesa nos mercados financeiros. À medida que formos avançando no ano assistiremos ao aumento do montante fornecido pelo PAF e diminuição dos montantes de dívida soberana portuguesa cotada nos mercados.

 

O Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), cuja actividade se iniciará a 1 de Julho, com a capacidade de mobilizar 500 mil milhões de fundos, poderá herdar os 250 mil milhões do actual Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), havendo já sinais de alguma abertura alemã para isso.

 

Ou seja, neste momento estão disponíveis 250 mil milhões de euros de recursos europeus, que aumentarão para 500 mil milhões em Julho e poderão mesmo crescer para 750 mil milhões nessa data. Isto significa que existem amplos recursos para comprar toda a dívida pública portuguesa que está actualmente no mercado. Já o mesmo não se pode dizer se houver subidas das taxas de juro não só em Portugal, como também em Espanha e Itália.

 

Portugal pode ser salvo, mas a Itália não (é demasiado grande), por isso insisto que é a Itália que vai levar a algum tipo de desagregação do euro, e não Portugal. A não ser que os líderes europeus tenham enlouquecido de vez, o que também não é uma hipótese a descartar. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 12:37 | comentar | partilhar