Fim do euro (11) Desvalorização, adenda (act.)

Em comentário ao post anterior diz-se que não poderemos controlar os movimentos de capitais quando sairmos do euro, porque isso contrariaria os princípios da UE.

 

A primeira observação, genérica, é que nos últimos dois anos têm sido inúmeros os casos em que se desrespeitou as normas comunitárias, inclusive os Tratados europeus, desde logo na concessão de ajuda à Grécia, Irlanda e Portugal. Por maioria de razão, quando os países saírem do euro, uma situação tão excepcional que nem sequer estava prevista nos Tratados, muitas mais excepções serão inevitáveis.

 

Passando agora ao comentário mais específico, é importante referir que já está amplamente demonstrado, inicialmente por Stiglitz e depois pelo próprio FMI, que a liberdade de circulação de capitais de curto prazo não só não traz vantagem visível em termos de crescimento, como aumenta a instabilidade macroeconómica. Donde não fazer nenhum sentido que Portugal seja forçado a tal coisa.

 

Mas o pior de tudo é que seria escaparmos das garras do leão para enfiar a cabeça na boca do crocodilo. Nos últimos tempos Portugal tem estado numa luta desesperada com os mercados financeiros para conter as taxas de juro da dívida pública. Se mantivéssemos a liberdade de circulação de capitais trocaríamos a actual luta por outra, para conter a depreciação da nossa nova moeda.

 

Parece-me que já chega de luta com os mercados financeiros e todas as lutas que pudermos evitar, devemos fazê-lo. Por isso, defendo que, após sair do euro, Portugal deve abolir, durante alguns anos, a liberdade de circulação de capitais de curto prazo. Relembre-se que esta era a situação que vigorou até 1992. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 19:41 | comentar | partilhar