Prejuízos na banca

Os resultados de 2011 da generalidade da banca portuguesa foram desastrosos, com a honrosa excepção do Santander Totta. Dizem-nos que estes prejuízos são irrepetíveis e que os depósitos estão seguros. Sinto um certo cheiro a denegação no ar.

 

Mas estes prejuízos são irrepetíveis porque as operações concretas que deram lugar ao prejuízo já foram contabilizadas? Ou porque o tipo de operações que deu lugar às perdas não voltará a ser praticada, e não me refiro à transferência do fundo de pensões?

 

É óbvio (será?) que a banca portuguesa não voltará a jogar na roleta da dívida grega, mas e na dívida italiana? Mais genericamente, a banca portuguesa continua a ter carteiras de negociação e de investimento, onde se arrisca a perder mais umas centenas de milhões de euros?

 

Aceito que se apoie a banca para que esta continue a fornecer crédito à economia. Mas os bancos que recorrerem a qualquer tipo de ajuda pública devem ficar obrigados a vender as suas carteiras de títulos, seja de obrigações, seja de acções. Só assim se poderá garantir, em primeiro lugar, que não vai ser necessário gastar dinheiro dos contribuintes para tapar buracos criados por apostas financeiras falhadas. Em segundo lugar, só assim se poderá garantir que os prejuízos de 2011 não se repetirão. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 12:40 | comentar | partilhar