Fim do euro (13) Queda drástica dos preços dos activos

Continuando a responder às questões dos leitores, que muito agradeço, retomo o tema da queda drástica dos preços dos activos, já referido aqui.

 

Uma primeira ideia central para pensar neste assunto é que nós vamos fazer o caminho inverso ao da entrada no euro, de forma muito mais rápida, mas com uma variante muito importante na taxa de desvalorização. O caminho para a entrada no euro terá começado já na primeira metade dos anos 90, em que as taxas de juro portuguesas iniciaram a sua convergência (redução) para as taxas de juro alemãs.

 

A variante importante é que a última desvalorização do escudo ocorreu em 1995 e foi muito modesta, de apenas 3,5%. Agora, vamos voltar para uma moeda portuguesa com uma desvalorização inicial de, pelo menos, 20%.

 

A segunda ideia central diz respeito ao próprio preço dos activos. Esta é uma ideia genérica, que não tem que se verificar a cada momento, mas pode ser encarado como o preço para que os activos tendem. O caso do imobiliário apresenta uma inércia excepcional e os preços podem demorar muitos anos a atingir os novos preços de equilíbrio, mas é importante perceber para onde eles se dirigem, mesmo se variam muito lentamente.

 

O preço de um activo será tanto maior quanto maiores forem os rendimentos que ele proporcionar e tanto menor quanto mais elevada for a taxa de juro de referência e tanto menor quanto mais elevado for o prémio de risco.

 

A primeira influência parece óbvia, mas o impacto da saída do euro sobre ela depende do tipo de activos. No caso das obrigações a taxa fixa, por definição o rendimento permanece fixo, pelo que não haveria alteração. No caso das acções de uma empresa exportadora os rendimentos até podem aumentar devido à saída do euro.

 

Quanto às duas outras influências, taxa de juro de referência (em geral a do Estado) e prémio de risco, subirão imenso e é isso vai estar na base da queda drástica da generalidade do preço dos activos.

 

Assinalo que vamos passar de taxas Euribor inferiores a 1,5% para taxas de juro Lisbor em torno dos 15%. Uma subida tão forte tem que ter consequências muito negativas nos preços dos activos.

 

Em relação ao prémio de risco este pode ser encarado como o “preço do risco”, tanto mais elevado quanto mais arriscada for uma aplicação. Portugal vai passar de ter uma das moedas mais fortes e estáveis do mundo (o euro), para uma nova moeda portuguesa, que se deverá estrear com perda muito significativa de valor. Ou seja, a nossa nova moeda vai ser muito mais arriscada do que o euro e os investidores vão estar dispostos a pagar muito menos por activos denominados na nova moeda.

 

Para além disso, o próprio processo de saída do euro deve envolver um qualquer tipo de reestruturação das dívidas portuguesas (públicas e privadas), o que deverá ser encarado como um outro significativo factor de risco.

 

Estas são as razões porque prevejo, genericamente, que a saída do euro deverá levar a uma queda drástica do preço dos activos. Nos posts seguintes irei debruçar-me sobre cada tipo particular de activo, com exemplos numéricos, para ser mais sugestivo.  

publicado por Pedro Braz Teixeira às 18:23 | comentar | partilhar