Reforma do Estado e essa coisa estranha que alguns chamam "neoliberalismo"

A melhor maneira de fugir a uma discussão séria sobre um tema é colocar-lhe um rótulo. Sobretudo se for um daqueles chavões tão populares como gastos pelo politiquês-correcto. Querem um exemplo? Em vez de se discutir a reforma do Estado, ou como vamos preservar o essencial do nosso estado social nestes tempos cinzentos, em que corremos o risco de não ter dinheiro sequer para salários e pensões, o espaço público está poluído com clichés superficiais. Fala-se muito em cortar a despesa (e ainda bem...) mas quase nada sobre o que queremos que venha a ser o Estado daqui a quinze ou vinte anos. Quais as funções do Estado que queremos preservar para não entrar em bancarrota? O que salvar para a casa não vir abaixo? No meio da discussão ou da falta dela, tenho ouvido a oposição falar dos perigos do neoliberalismo, mas sem explicar o que querem dizer com isso e que ideias alternativas propõem. E já agora porque razão acusam o Governo de ser o mais neo-liberal desde a fundação da nacionalidade? Suspeito que muitos destes protagonistas não sabem o que foi o liberalismo quanto mais essa coisa do neo-liberalismo. Acusam, enchem a boca, mas não sabem do que estão a falar. E nenhum jornalista tem coragem de lhes perguntar. Esta pobreza no debate ideológico é uma das causas do nosso bloqueio.

publicado por Paulo Marcelo às 14:21 | comentar | partilhar