As más práticas

Os ministros e secretários de Estado do Governo de José Sócrates pagaram despesas com cartões de crédito e verbas do fundo de maneio dos gabinetes, sem que haja rasto do dinheiro nos orçamentos dos seus ministérios. Na prática, como já deixou claro o Tribunal de Contas, o cartão de crédito funciona como um suplemento remuneratório. A ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o ex-ministro da Justiça, Alberto Martins, tinham cartões de crédito com um plafond mensal de cinco mil e quatro mil euros, respectivamente. Com o salário, despesas de representação e regalias como cartão de crédito, fundo de maneio e telemóvel, a remuneração de um ministro rondava os 10 mil euros mensais.

 

Não sendo eu defensor da teoria, muito popular nos dias de hoje, que os políticos ganham demasiado, também não posso estar de acordo com este tipo de práticas que são descritas no Correio da Manhã. Pela notícia percebe-se que era uma prática corrente em todos os governos. Também por isso tenho de aplaudir a atitude deste governo, que acabou com esta situação. E não foi, como é normal em Portugal, depois desta prática ter sido revelada. A decisão do governo em cortar com os cartões de crédito dos governantes foi tomada imediatamente após a tomada de posse. Uma medida moralizadora que deve fazer escola. 

publicado por Nuno Gouveia às 16:40 | comentar | partilhar