António Arroio

 

Como sabemos os alunos não são mal educados. São rebeldes, opinativos, críticos e divergentes. Ensaiam-se em exercícios de democracia legítimos e enriquecedores como chamar ladrão à mais alta figura do Estado, que entretanto falhou a saída da rotunda e avançou…mas ao contrário, e a empunhar cartazes para a legalização das drogas, a gritar palavras de ordem antifascistas e outras coisas altamente credibilizantes. Porque o Presidente não recua, nunca recua, mesmo quando tem gente à sua espera. Quem fez então o Presidente recuar? Um grupinho numericamente insignificante quando comparado com os 1200 alunos de toda a escola e que, aliás, faltaram às aulas para fazer aquela triste figura.  Muitos manifestantes não eram sequer daquela escola soubemos pelo seu director. De onde eram então? Ninguém sabe mas todos presumimos. A ver pela qualidade dos cartazes não eram, tão pouco, os mais artisticamente dotados. Se continuarem a faltar às aulas vão continuar a não ser...

A Escola António Arroio é para os políticos uma escola muito difícil. Não que seja hoje uma escola politizada. Mas durante muito anos foi um antro político do Partido Comunista. A JC achava que aquela escola era sua e assim organizava, a partir do seu interior, eventos políticos / artísticos, colavam cartazes e enchiam a escola de lixo. Hoje já não existe nada disso, pelo menos dentro da escola. Agora há paredes brancas e trabalhos de grande qualidade feitos pelos alunos com uma apresentação cuidada e apetecível. Nem um grafiti sequer. Fora da escola, sim, há quem insista em acções de contaminação e agitação, como foi o caso, a que Cavaco Silva fez questão de dar uma visibilidade desproporcionada, o que nem Sócrates conseguira. Hoje a população escolar é muito mais heterogénea no plano ideológico e social embora naturalmente se entorne sempre para o lado esquerdo quando o caldo se agita, o que torna estes alunos mais susceptíveis a acções de circo como as da semana passada. Da exposição dos trabalhos dos alunos ninguém viu porque ninguém mostrou. Aliás a televisão não mostrou nada, a não ser uns coitados a comer sandes porque não tinham refeitório. Portanto não tinham onde comer? Não. Têm provisoriamente o refeitório da escola básica a 200m de distância que não usam porque não querem. A escola António Arroio está a ter obras de mais de 22 milhões de euros, quase terminadas, eles protestam; Têm o custo de funcionamento mais caro por aluno, a nível nacional, e eles protestam; Têm estúdios de cinema e fotografia, joalharia, azulejaria, tecelagem, tipografia, laboratórios vários, dois pavilhões desportivos, imacs de última geração, e eles protestam. Há um ano e meio estava a escola a funcionar em contentores, hoje têm tudo novo e eles protestam. Quanto aos outros alunos, os que produziram o trabalho da exposição e aos professores que os apoiaram, esses foram os verdadeiros abandonados pelo senhor Presidente. Se abandonamos o espaço que é nosso ele fica vazio e pronto a ser apropriado por alguém. E custou tanto a desocupar. Senhor Presidente, não se engane outra vez na rotunda. Pode ter gente à sua espera…

 

 

publicado por Ricardo Roque Martins às 18:32editado por Paulo Marcelo em 22/02/2012 às 10:31 | comentar | partilhar